Brasília se despede do Cardeal Sergio da Rocha

Dom Sergio da Rocha, Pastor de uma Igreja em Saída, Caminhando com o Povo, por Justiça e Paz

 

Solenidade de Pentecostes e Jubileu de dedicação da Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida

 

Quando Dom Sergio da Rocha assumiu o arcebispado de Brasília, em 6 de agosto de 2011, o recém-falecido teólogo, Raimundo Caramuru Barros, autor de livros e artigos sobre assuntos relativos à atuação da Igreja Católica, esboçou para quem presida, no presente momento histórico e político, a arquidiocese de Brasília, um conjunto de carismas:

  • Experiência pastoral comprovada em uma metrópole ou em uma cidade de grande porte.
  • Habilidade no diálogo com autoridades políticas, desde o nível de base até o nível continental.
  • Sintonia com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que tem sua sede na Capital da República.
  • Fomentador de unidade e comunhão entre os presbíteros, diáconos e leigos que atuam nesta Igreja particular.
  • Espírito de articulação colegiada em condições de atender todos os segmentos da sociedade brasiliense: os políticos em todos os seus níveis e escalões; os membros do Corpo Diplomático credenciado; os Altos Comandos das Forças Armadas; as classes médias que dão suporte à máquina governamental; as populações menos favorecidas espalhadas pelas cidades satélites surgidas na periferia do Distrito Federal ao longo das últimas décadas.
  • Traquejo na colaboração com o Conselho Episcopal Latino-Americano – CELAM, dado o papel de destaque do Brasil no contexto atual deste continente.

E, numa saudação a Dom Sergio, em artigo publicado no sítio do IHU (http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/44341-quatro-tracos-marcantes-do-novo-arcebispo-de-brasilia), distinguiu quatro traços de sua personalidade: o primeiro traço dizendo respeito à sua  elevada formação acadêmica, espiritual e pastoral; o segundo traço à sua larga experiência como educador, na qualidade de diretor espiritual, pároco, e professor; o terceiro traço pondo em relevo o testemunho de amor a Deus e amor ao próximo demonstrado no exercício de seu ministério de presbítero e de bispo. Quando completa seu arcebispado em Brasília, para se investir em arcebispo de Salvador, Primaz do Brasil, o Cardeal Sergio da Rocha, se apresenta por inteiro nessa moldura e confirma sua “vocação à disposição do diálogo, uma exigência para os tempos presentes”, graças “a elevada formação intelectual”, o traço síntese marcante que o alçou à presidência da CNBB (Dom Sergio da Rocha, de Brasília para a Presidência da CNBB,  Artigo publicado no Correio Braziliense em 21/04/2015).

Somos gratos a Dom Sergio em seu exercício episcopal, no cumprimento do mandato por Justiça e Paz que tanto fortaleceu a CJP de Brasília e as Pastorais Sociais. O sereno acolhimento ao difícil e exigente programa de serviço da Comissão, muitas vezes realizado em situações-limite de interesses sujeitos a muitas contradições, requerendo mediações, diálogo inter-institucional e com movimentos sociais e em meio a reivindicações tensas e urgentes.

Dom Sergio jamais tergiversou de um protagonismo que se demitisse daquela disposição sublime, tão em sintonia com o lema de sua insígnia episcopal: “Omnia in Charitate” (Tudo na Caridade), para propugnar o bem comum exercitando a sublime vocação conforme a orientação do Papa Francisco (Evangelii Gaudium n.205), assumindo uma disposição de magistério nesse mister, em apoio a pedagogia que lhe propôs o programa da CJP, nas conversas de justiça e paz, nos programas radiofônicos de justiça e paz e nas várias declarações que subscreveu, conforme esse magistério.

Antes de tudo, atos de serviço, conforme ele próprio nos orientou em sua mensagem de celebração de 33 anos da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese, atualizando as diretrizes para seu mandato de ação no contexto da dimensão social que a integra na ação evangelizadora da Igreja:

“A missão evangelizadora da Igreja não ocorre somente pelo anúncio da Palavra, que é sempre muito importante; acontece também pelo testemunho. O testemunho torna-se sempre mais necessário, em nosso tempo. Testemunho da caridade, isto é, do amor aos pobres e sofredores, testemunho da promoção da justiça e da paz, testemunho de misericórdia, solidariedade e serviço, testemunho profético portador de esperança e vida nova. A dimensão social integra a ação evangelizadora da Igreja; é expressão do ser “sal da terra” e “luz do mundo” que caracterizam o agir cristão e a comunidade cristã. Por isso, a dimensão social não pode ser negada, nem descuidada. A fé não pode ficar confinada aos templos ou restrita à vida privada, como muitos preferem. Tem sempre sérias implicações para a vida social, nos seus diversos âmbitos. Por isso, não podemos ignorar os graves problemas vividos pela população, especialmente pelos mais pobres, identificando os desafios concretos e contribuindo para a sua superação. Não podemos jamais abandonar os pobres!”.

É esse bispo que sempre favorece “a comunhão missionária na sua Igreja diocesana”, conduzida por sua disposição já destacada pelo querido Caramuru, que o faz “às vezes pôr-se à frente para indicar a estrada e sustentar a esperança do povo, outras vezes manter-se simplesmente no meio de todos com a sua proximidade simples e misericordiosa e, em certas circunstâncias, caminhar atrás do povo, para ajudar aqueles que se atrasaram” (EG, n. 31).

Ao nos despedirmos de Dom Sergio, paradoxalmente, nos rejubilamos com a Arquidiocese de Salvador que agora o recebe,  e queremos externar a nossa gratidão pela orientação segura e pelo acolhimento pastoral sereno desse pastor de uma igreja em saída, caminhando com o povo, por Justiça e Paz.

Por Comissão Justiça e Paz

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