O Brasil não conhece o Brasil – 01/06/2015

Com o tema A família e as classes populares: o Brasil não conhece o Brasil, faz de conta, o Professor Jessé Souza, Presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA foi o convidado dessa segunda-feira 01/06, para mais uma conversa de justiça e paz, promovida pela Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese.

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Mais uma vez o Auditório Dom José Freire Falcão recebeu um público mobilizado para o debate, com a visita de novos participantes muito interessados, entre eles o Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, ex-Secretário Geral do Ministério das Relações Exteriores e ex-Ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, do professor José Eduardo Elias Romão, ex-Ouvidor-Geral da União e atualmente Chefe de Gabinete do Presidente do IPEA, do Professor Guilherme Delgado, aposentado do IPEA, da Professora Nair Bicalho, aposentada do IPEA, coordenadora do Núcleo de Estudos para a Paz e os Direitos Humanos da UnB, do Professor Isaac Roitman, Coordenador do Núcleo de Estudos do Futuro da UnB, da professora Celina Roitman da Fiocruz e do cientista Carlos Morel, da Fiocruz-Manguinhos. Presentes também membros da Comissão Brasileira de Justiça e Paz, da Cáritas e do Vigário-Geral padre Carlos, entre outros e outras participantes.

Jessé Souza é professor titular de ciência política da Universidade Federal Fluminense (UFF). Possui doutorado em sociologia pela Karl Ruprecht Universität Heidelberg, da Alemanha (1991), e pós-doutorado em filosofia e psicanálise pela New School for Social Research, dos Estados Unidos (Nova York, 1994-1995). É, também, livre docente em sociologia pela Universität Flensburg, da Alemanha (2006). Em sua exposição o Presidente do IPEA cuidou de apresentar a sua compreensão em relação aos fundamentos da política estratégica que pretende imprimir ao órgão de planejamento que dirige, mostrando que irá focar seus esforços em direção a ações comunitárias e institucionais que confrontem a desigualdade.

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Com base em premissas do pensamento sociológico, o expositor pôs em relevo o sistema de classes que configura a distribuição social no país, caracterizando a segregação que distingue o 1% dos detentores da riqueza social (25% do PIB), de uma classe média detentora de renda que lhe outorga o capital social apto a ao fortalecimento do potencial de realização cultural das famílias nela incluídas e da condição de sub-cidadania a que ficam relegadas as famílias dos extratos pobres (70%) da população, incapacitados de usufruírem os bens, serviços e valores disponibilizados pelo acervo econômico e político disponível na sociedade brasileira.

Valendo-se de elementos de caracterização da identidade nacional a partir de intérpretes da formação econômico-social brasileira (Gilberto Freyre, Sergio Buarque de Holanda, Raymundo Faoro, Florestan Fernandes), o expositor mostrou as implicações subjetivas presentes nessa formação, chamando a atenção para o papel desempenhado pelas religiões, especialmente daquelas fundadas no cristianismo, apresentando, com referência a Santo Agostinho, uma distinção necessária entre “religião mágica” e “religião ética”, considerando que, nesta última acepção é que se vislumbra uma noção expansiva de cidadania, na acepção que daí deriva de se ver reconhecido como “filho de Deus” e “Povo de Deus”.

Em suas palavras de encerramento, Dom Leonardo Steiner acentuou a correspondência entre a abordagem científica da exposição e o sentido religioso que a leitura cristã pode encontrar nesse modo de interpretar. De certo modo pode se dizer que fez coro ao que o Papa Francisco indica na Evangelii Gaudium: “A tarefa dos exegetas e teólogos ajuda a ‘amadurecer o juízo da Igreja’. Embora de modo diferente, fazem-no também as outras ciências. Referindo-se às ciências sociais, por exemplo, João Paulo II disse que a Igreja presta atenção às suas contribuições ‘para obter indicações concretas que a ajudem no cumprimento da sua missão de Magistério” EG nº 40).

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Para esse diálogo querem contribuir as Conversas de Justiça e Paz.

Mais uma vez cobriram o evento a TV Comunitária, Canal 12, da NET e a Rádio Maria.

O debate foi moderado pelo Professor Agnaldo Portugal, compondo a mesa ainda o Presidente José Márcio Moura da CJP.

Você pode assistir a essa Conversa na íntegra:

Por Comissão Justiça e Paz

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