Comissão Justiça e Paz emite nota de apoio e solidariedade à Campanha da Fraternidade

NOTA DE APOIO AO CONSELHO NACIONAL DE IGREJAS CRISTÃS DO BRASIL–CONIC, À CNBB E À PASTORA ROMI BENCKE

 

“Para a Igreja, o diálogo entre os membros de diversas religiões constitui um instrumento importante para colaborar com todas as comunidades religiosas para o bem comum. A própria Igreja nada rejeita do que nessas religiões existe de verdadeiro e santo. «Olha com sincero respeito esses modos de agir e viver, esses preceitos e doutrinas que, embora se afastem em muitos pontos daqueles que ela própria segue e propõe, todavia refletem não raramente um raio da verdade que ilumina todos os homens»…

Em 2011, tem lugar o 25º aniversário da Jornada Mundial de Oração pela Paz, que o Venerável Papa João Paulo II convocou em Assis em 1986. Naquela ocasião, os líderes das grandes religiões do mundo deram testemunho da religião como sendo um fator de união e paz, e não de divisão e conflito. A recordação daquela experiência é motivo de esperança para um futuro onde todos os crentes se sintam e se tornem autenticamente obreiros de justiça e de paz.” (Trecho da mensagem do Papa Bento XVI para o Dia Mundial da Paz, 01/01/2011).

A Comissão Justiça e Paz de Brasília (CJP-DF), por meio dessa nota, expressa seu apoio à Campanha da Fraternidade Ecumênica, ao Conselho Nacional de Igrejas Cristãs – CONIC na figura da Pastora Romi Bencke e, principalmente, à CNBB, pela firme disposição de manter a caminhada ecumênica da Igreja Católica assumida pelo Papa João XXIII, pelo Concílio Ecumênico Vaticano II, pelos papas Paulo VI, João Paulo II, Bento XVI e Francisco, na direção do diálogo para o bem comum.

Reforça-se que a Campanha da Fraternidade tem relevância na construção da ética cristã, com um legado de cinco décadas de evangelização. Nesse mesmo sentido, as Campanhas da Fraternidade Ecumênicas também constituem significativo patrimônio ao cristianismo no Brasil, e, desde a virada do milênio, foram realizadas quatro outras campanhas ecumênicas: (2000) Dignidade Humana e Paz;  (2005) Solidariedade e Paz; (2010) Economia e Vida; (2016) Casa Comum, Nossa Responsabilidade, sendo apoiadas pelos pontífices São João Paulo II, Bento XVI e Francisco:

[…]  Elevo a Deus, rico em misericórdia, ardentes preces para que este Ano Santo seja tempo de abertura, de diálogo e de aproximação entre todos os cristãos na caminhada ecumênica promovida pelo CONIC, Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil, para que todos os homens creiam em Cristo. “Se souberem seguir o caminho que Ele indica, terão a alegria de dar o próprio contributo para a presença d’Ele no próximo século e nos sucessivos”. (Trecho da mensagem do Papa São João Paulo II para a Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2000).

[…] Eu desejo o mesmo sucesso às Igrejas e Comunidades eclesiais no Brasil que, neste ano, decidiram unir seus esforços para reconciliar as pessoas com Deus, ajudando-lhes a libertar-se da escravidão do dinheiro. (Trecho da mensagem do Papa Bento XVI para a Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2010).

[…]  É a quarta vez que a Campanha da Fraternidade se realiza com as Igrejas que fazem parte do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC)…..  Eu me uno a todos os cristãos do Brasil e aos que, na Alemanha, se envolvem nessa Campanha da Fraternidade Ecumênica, pedindo a Deus: «ensinai-nos a descobrir o valor de cada coisa, a contemplar com encanto, a reconhecer que estamos profundamente unidos com todas as criaturas no nosso caminho para a vossa luz infinita…. Obrigado porque estais conosco todos os dias.(Trecho da mensagem do Papa Francisco para a Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2016).

A Comissão Justiça e Paz de Brasília enfatiza a importância de os cristãos comungarem da mensagem do Papa Francisco reconhecendo seu estatuto e autoridade, salientando  o enunciado na Carta Encíclica Fratelli Tutti, onde o Papa relembra o coração sem fronteiras de São Francisco de Assis:

“Na sua vida, há um episódio que nos mostra o seu coração sem fronteiras, capaz de superar as distâncias de proveniência, nacionalidade, cor ou religião: é a sua visita ao Sultão Malik-al-Kamil, no Egito…. Sem ignorar as dificuldades e perigos, São Francisco foi ao encontro do Sultão com a mesma atitude que pedia aos seus discípulos: sem negar a própria identidade, quando estiverdes «entre sarracenos e outros infiéis (…), não façais litígios nem contendas, mas sede submissos a toda a criatura humana por amor de Deus». No contexto de então, era um pedido extraordinário. É impressionante que, há oitocentos anos, Francisco recomende evitar toda a forma de agressão ou contenda e também viver uma «submissão» humilde e fraterna, mesmo com quem não partilhasse a sua fé.” (Fratelli Tutti 3).

“As questões relacionadas com a fraternidade e a amizade social sempre estiveram entre as minhas preocupações. Além disso, se na redação da Laudato si’ tive uma fonte de inspiração no meu irmão Bartolomeu, o Patriarca ortodoxo que propunha com grande vigor o cuidado da criação, agora senti-me especialmente estimulado pelo Grande Imã Ahmad Al-Tayyeb, com quem me encontrei, em Abu Dhabi, para lembrar que Deus «criou todos os seres humanos iguais nos direitos, nos deveres e na dignidade, e os chamou a conviver entre si como irmãos” (Fratelli Tutti 5).

Ressaltando a autoridade do Santo Padre e de sua doutrina, bem como tocados pelo coração sem fronteiras de São Francisco, “capaz de superar as distâncias de proveniência, nacionalidade, cor ou religião” e pela mensagem evangelizadora da Campanha da Fraternidade de 2021 “Fraternidade e Diálogo: Compromisso de Amor”, cujo o lema é “Cristo é a nossa Paz: do que era dividido, fez uma unidade”, a CJP-DF manifesta sua maior solidariedade ao Conselho Nacional de Igrejas Cristãs – CONIC e à CNBB.

Entretanto, o faz, sobretudo, na medida em que são constrangedoras as ofensas aleivosamente difamantes assacadas contra a Secretária Geral do CONIC, Pastora Romi Bencke. Não é só a investida arrogante que quer afastar injustamente quem se põe a serviço da mesma causa e compreende que “a salvação é para todos” (Lucas 13, 22-30). É se opor à orientação do próprio Papa em sua atenção ao feminino, atribuindo às mulheres responsabilidades cada vez mais exigentes como agora ao chamar ao Sínodo, com direito a voto, o seu protagonismo crescente.

Por fim, cabe-nos meditar com o Papa Francisco: “Neste espaço de reflexão sobre a fraternidade universal, senti-me motivado especialmente por São Francisco de Assis e também por outros irmãos que não são católicos: Martin Luther King, Desmond Tutu, Mahatma Mohandas Gandhi e muitos outros. Mas quero terminar lembrando uma outra pessoa de profunda fé, que, a partir da sua intensa experiência de Deus, realizou um caminho de transformação até se sentir irmão de todos. Refiro-me ao Beato Carlos de Foucauld…o seu ideal duma entrega total a Deus encaminhou-o para uma identificação com os últimos, os mais abandonados no interior do deserto africano.
Que Deus inspire este ideal a cada um de nós. Amém.” (Fratelli Tutti, 286/287)

Por Comissão Justiça e Paz de Brasília – 09/02/2021.

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