Comunicação Social:

Não Há Paz Sem Justiça, Não Há Justiça Sem Verdade

 

por Edla Lula (*) e Eduardo Xavier Lemos (*) – JBP/DF

Estimados leitores e leitoras da Coluna Justiça e Paz, a temática dessa semana, diz respeito a importância dos meios de comunicação social paraa comunidade cristã, especialmente a Igreja Católica, – a qual a CJP integra.

Ao longo da sua história, a Igreja expressoupor inúmeros documentos pontifícios ou outros textos pastorais,a sua visão e orientação quanto aos meios de comunicação, sempre com um olhar atento para o potencial de tais meios, que poderiam ser devastadores ou iluminadores, dependendo de seu uso.

Para além dos documentos, a Igreja não deixou de demonstrar o seu entusiasmo, sempre utilizando-se de cada nova invenção. O Estado do Vaticano foi, por exemplo, um dos primeiros a implantar o telégrafo, ao se associar à West European Telegraph Union, em 1850.

Já naquela época o Papa Inocêncio VIII, por meio da Bula Inter Multiplices, falava sobre a “invenção providencial” da prensa de Gutemberg,chamando atenção para o uso corretodo invento,com“escritos oportunos”, de acordo com os valores cristãos. Embora o período seja conhecido como o da caça às bruxas, vindo, após isso, a criação do Index – a relação de textos proibidos -, a Igreja não condenou o invento em si, ao contrário.  Seguiram-se diversos documentos eclesiásticos a respeito do tema. A Encíclica Vigilanti Cura, de Pio XI, fala sobre o cinema; Miranda Prorsus, de Pio XII amplia a reflexão, incluindo a televisão e o rádio.

Já no Concilio Vaticano IIfoi produzido, em 1963, o Inter Mirifica, decreto que cria a expressão “meios de comunicação social”, em lugar de “comunicação de massa”, como vinha sendo dito por estudiosos até então. O documento aborda, com ênfase, o direito dos cidadãos à informação, pela primeira vez, o papa determina claramente o uso dos meios de comunicação pela instituição. Mais do que uma orientação aos fiéis cristãos, o documento fala dos meios de comunicação como um importante instrumento de propagação do Evangelho pela própria Igreja.

A instrução pastoralCommunio et Progressio, publicada em 1972, aprofunda o Inter Mirifica, e traz uma série de orientações quanto à postura dos cristãos diante dos conteúdos dos meios de comunicação social, trata-os como um dos pilares para o progresso humano odireito à informação e a liberdade de comunicação.

A AetatisNovae, de 1992, celebra os 20 anos da Communio et Progressio com o balanço da evolução cada vez mais intensa dos meios de comunicação, enfocandoo acelerado desenvolvimento da “revolução tecnológica”.

Como sabemos, João Paulo II era conhecidamente um entusiasta dos meios eletrônicos de comunicação. A partir do seu pontificado multiplicaram-se, em todo o mundo, as emissoras de rádio, televisão e jornais católicos. Na Encíclica RedemptorisMissio, de 1990, o “papa pop” define os meios de comunicação como o “primeiro areópago dos tempos modernos”, expressão repetida inúmeras vezes por Francisco, que vem impulsionando o uso das redes sociais, inclusive como um de seus principais canais de comunicação.

Em plena consonância com as orientações da igreja, a Comissão de Justiça e Paz de Brasília, se alegra a cada novo espaço de comunicaçãoque se apresenta, dada a possibilidade de promover, por estes instrumentos, os seus princípios, a justiça e a paz, exemplo desta coluna.

Não é de hoje que a Comissão utiliza da estratégia comunicativa, uma delas, as Conversas Justiça e Paz realizadas toda primeira segunda-feira do mês à noitena Cúria Metropolitana, são um importante instrumento formativo e comunicativo, também são retransmitidasao vivo para as redes sociais Youtube e Facebooka partir de uma parceria com a TV Comunitária, e procuram promover a formação na Doutrina Social da Igreja, tomando por conta os temas da atualidadeque afetam a realidade do povo do Distrito Federal.

Nessa já consagrada atividade passaram ilustres figurascomo os Cardeais Dom Sérgio da Rocha e Dom Leonardo Steiner, o Arcebispo Emérito de Aparecida Dom Raymundo Damasceno Assis, todos grandes incentivadores da Comissão Justiça e Paz de Brasília, tambéma Ministra Carmem Lucia do Supremo Tribunal Federal, o Desembargador Névinton Guedes, o ex-Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil Cezar Britto, o Procurador Regional da República Felício Pontes (também membro dessa Comissão), o Subprocurador Regional do Trabalho Cristiano Paixão, também oentão Ministro das Comunicações Ricardo Berzoini, o Professor Venício Artur de Lima, o jornalista Beto Almeida da FENAJ, o sociólogo Jessé Souza (então Presidente do IPEA), a mais recente entrevistada foi a juíza federal Claudia Maria Dadico que integra a Coalizão em Defesa do Sistema Eleitoral e discorreu sobre o tema “Crimes de Ódio no Contexto Eleitoral”, não obstante tantas outras e outros ilustres participantes que passaram por nossa Conversa Justiça e Paz.

O trabalho comunicativo e formativo da Comissão Justiça e Paz também se difunde em outro espaço valoroso que nos é muito caro, se trata de nossa incursão semanal na Rádio Nova Aliança, a cada sábado, no horário das 11h às 12h.Ali, cumprimos o papel de difundir aos cristãos e cidadãos, as orientações contidas no Ensino Social da Igreja – conjunto de princípios que norteiam as atitudes do cristão diante de temas desafiadores do mundo secular, tais como a fome, a miséria, as agressões ao meio ambiente e as relações interpessoais.

O Programa de Justiça e Paz de Brasília transmitido na Rádio Nova Aliança, que tem absoluto respaldo e incentivo do Arcebispo de Brasília Cardeal Dom Paulo Cezar Costa, cumpre sua função constitucional, isto é, a Comunicação Social, portanto, sua vocação independe de aferições de audiênciapois temfinalidade educativa, cultural e formativa, tendo por escopo promover e debater as questões sociais do Distrito Federal por meio do Ensino Social da Igreja, o que realiza com rigor.

Porquanto o Programa de Justiça e Paz, ser propagado por um veículo de comunicação vinculado à Arquidiocese de Brasíliaconsideramos e nos atemos aos valores da cristandade,vendo a Igrejade uma maneira integrativa e plural, representada por uma multiplicidade de cristãos católicos, com suas particularidades, diferenças e singularidades, unidos por um mesmo Cristo e sob uma mesma Arquidiocese.

O Sumo Pontífice, Papa Francisco, prega a tolerância, a escuta, e o encontro, nos convoca a saímos do conforto, “se sairmos do monólogo é que se pode chegar àquela concordância de vozes que é garantia duma verdadeira comunicação. Ouvir várias fontes, «não parar na primeira locanda» – como ensinam os especialistas do ofício – garante credibilidade e seriedade à informação que transmitimos. Escutar várias vozes, ouvir-se – inclusive na Igreja – entre irmãos e irmãs, permite-nos exercitar a arte do discernimento, que se apresenta sempre como a capacidade de se orientar numa sinfonia de vozes.(Mensagem do Papa Francisco para o LVI Dia Mundial das Comunicações Sociais.  Roma, 24 de janeirode 2022.)

Com a intolerância que se propaga no país, é importante reforçar que a Constituição Brasileira veda toda e qualquer forma de censura de natureza política e ideológica, a cultura da escuta e do diálogo deve ser promovida, todas e todos devem ter acolhida e voz.

Não há paz sem justiça, não há justiça sem verdade.

 

(*) Edla Lula  – Membra da Comissão Justiça e Paz de Brasília

(**) Eduardo Xavier Lemos  – Presidente da Comissão Justiça e Paz de Brasília

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