Novo presidente da CNBB nega postura pró-governo em reforma política – 27/04/2015

O novo presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), dom Sérgio da Rocha, ressaltou nesta sexta-feira (24) que a entidade católica tem o dever de se pronunciar sobre questões sociais e negou que tenha adotado postura político-partidária na discussão sobre a reforma política.

O apoio do PT a manifesto em defesa da reforma política, divulgado pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e pelaCNBB, tem sido alvo de críticas nas redes sociais. A entidade católica tem sido acusada de ter se tornado favorável ao governo federal.

A reportagem é de Gustavo Uribe, publicada pelo portal Uol, 24-04-2015.

O novo presidente, que também é arcebispo de Brasília, ressaltou que a entidade religiosa tem se pautado na doutrina social da Igreja Católica e avaliou que nem sempre os seus posicionamentos são compreendidos.

“Não temos adotado e não queremos adotar nenhuma posição que seja político-partidária. E, no caso da reforma política, há projetos inversos daqueles que a coalização da qual a CNBB participa está propondo. Não é justo. Às vezes as pessoas não estão muito atentas aos detalhes e vão misturando as coisas”, afirmou.

Ele ressaltou que a postura da CNBB tem sido de “autonomia” e “independência” e lamentou que tenham ocorrido confusões em relação ao pronunciamentos sobre a reforma política.

“Lamentavelmente, às vezes se acaba confundindo as coisas dependendo daquilo que se fala”, afirmou.

Na mesma linha, o secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, que foi reeleito para o cargo, ressaltou que a entidade religiosa não está “reforçando o PT”, como a acusam montagens e fotografias que estão sendo compartilhadas nas redes sociais.

“Os senhores viram algumas fotografias dizendo que a CNBB está reforçando o PT. Não tem nada a ver com isso”, disse.

Perguntado sobre os protestos de rua contra a presidente Dilma Rousseff (PT), o novo presidente da CNBB considerou justas as manifestações, mas ressaltou que nelas não podem ser esquecidos princípios básicos da sociedade democrática, como o “respeito” e o “diálogo”.

Continuidade

Em cerimônia realizada no Santuário de Nossa Senhora Aparecida, no interior de São Paulo, o novo presidente da CNBB tomou posse na manhã desta sexta-feira (24) para um período de quatro anos.

Na entrevista à imprensa, o arcebispo de Brasília ressaltou que a troca do comando da entidade católica não significa uma “mudança radical” nos seus rumos. “Nós procuramos dar sequência àquilo que tem sido o papel da Igreja Católica no país”, disse.

Ele defendeu uma atuação mais organizada da Igreja Católica em diferentes âmbitos sociais e uma participação mais ativa dos cristãos leigos em assuntos de interesse da sociedade.

“Às vezes, nós sentimos uma presença muito tímida, muito limitada, do nosso laicado na sociedade. Claro que tem gente que dá testemunhos muito bonitos e corajosos nos diversos campos da vida social, mas temos de crescer muito nisso. Não é possível deixar apenas para o episcopado. O episcopado se pronuncia, mas não é ele quem vai no dia a dia de uma universidade e do Congresso Nacional para realizar essa missão”, ressaltou.

Segundo ele, a CNBB ainda estuda as questões que levará à 14ª Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, que será realizado em outubro, no Vaticano.

O arcebispo de Brasília ressaltou a necessidade, no entanto, de serem discutidos dois aspectos: a valorização do matrimônio e o acolhimento de casais divorciados que estão em uma segunda união civil.

“O que se insiste é que ninguém seja excluído da vida da Igreja Católica, porque ela quer ser essa casa de porta aberta para todos”, disse.

O secretário-geral da CNBB informou que é possível que, entre setembro e outubro, a nova direção da entidade católica faça uma visita ao papa Francisco, no Vaticano.

Ele também observou que é praxe que a nova presidência da CNBB faça uma visita à presidente da República, ao presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) e ao procurador-geral da República, mas não detalhou data e local para o encontro.

Fonte: http://www.folha.uol.com.br/

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