Artigos

Nosso país está hoje de fato muito dividido. Ele é um dos campeões do mundo em desigualdade social. Não poderiam deixar de surgir movimentos, partidos e governos dispostos a agir efetivamente pela igualdade – ideal de todos os que se declaram democráticos. Mas essa tarefa é gigantesca – política, econômica e cultural. Os que procuraram realizá-la fizeram na verdade ainda muito pouco para que se construa realmente no país uma sociedade justa.

Os riscos aumentam. Os tiros da madrugada de 28 de abril em Curitiba, depois da execução em março de Marielle Franco – com seus autores até agora impunes - e dos assassinatos de tantos lideres sociais pelo Brasil afora, demostram a ousadia crescente dos que querem autoritarismo em vez de democracia e “desejam” a violência – como a das guerras entre traficantes de drogas. Eles são poucos, são ínfimas minorias. Mas sabem que violência provoca violência, escapa ao controle da sociedade e se torna irrefreável. Já houve em nosso país revoltas e ações políticas armadas – o que foi sempre muito doloroso. Nunca no entanto chegamos a viver guerras civis, como as que infelicitam o povo, atualmente, em regiões do mundo em que a disputa por recursos naturais é exacerbada e pode se apoiar em disputas religiosas. Para a satisfação dos fabricantes e vendedores de armas, na lógica anti-humana do sistema econômico dominante. Há quem já nos veja empurrados para essa tragédia.leia mais   clique aqui

Encontramo-nos em um período da história no qual nos sentimos, às vezes, impotentes na busca de soluções para os problemas propostos. Em tempos em que a paz está ameaçada, é preciso observar criticamente a realidade com olhar de quem acredita na superação por meio da fraternidade. A superação da violência se torna, assim, um sinal do amor que Deus nutre pelo ser humano criado para ser irmão e não rival. Como cristãos, somos chamados a construir o Reino da verdade e da graça, da justiça, do amor e da paz, pois somos todos irmãos. "

Campanha da Fraternidade 2018: Texto-base, CNBB.

Há cinquenta anos, o Papa Paulo VI, dirigindo-se às pessoas de boa vontade, dedicou o primeiro dia do ano à celebração da Paz: “Desejaríamos que depois, cada ano, esta celebração se viesse a repetir, como augúrio e promessa, no início do calendário que mede e traça o caminho da vida humana no tempo; que seja a paz, com seu justo e benéfico equilíbrio, a dominar o processar-se da história no futuro. ” Desde então, a tradição pontifícia tem sido mantida com a divulgação de mensagens papais celebrando o dia da paz e promovendo profundas reflexões sobre seu significado e, sobretudo, clamando por sua realização.leia mais   clique aqui

O Concílio não olha os leigos como se fossem membros de segunda categoria, a serviço da hierarquia e simples executores de ordens provenientes do alto, mas como discípulos de Cristo que, através do Batismo e sua inserção no mundo, são chamados a animar todo ambiente, atividade e relação humana segundo o espírito do Evangelho.

(Papa Francisco na mensagem aos participantes da jornada de estudos sobre a “Vocação e missão dos leigos”, em 12/11/2015).

A CNBB promoveu no último domingo, dia 26 de novembro, a abertura do Ano Nacional do Laicato, em todas as Dioceses do Brasil, fruto da decisão tomada na Assembleia Geral Ordinária dos Bispos, realizada em abril de 2016.leia mais   clique aqui

Correio Braziliense, edição de 14/4/2017

Opinião, pág. 11

20 anos da morte de Galdino Pataxó:

símbolo para tempos de intolerância

José Geraldo de Sousa Junior
          Membro da Comissão Justiça e Paz de Brasília

          José Márcio de Moura Silva
          Presidente da Comissão Justiça e Paz de Brasília

Em 19 de abril deste ano, o calendário simbólico brasileiro registra 20 anos da morte de Galdino Jesus dos Santos, o Galdino Pataxó. Natural da Bahia (1952), ele foi assassinado em Brasília, em 20 de abril de 1997. Da etnia pataxó-hã-hã-hãe, estava em Brasília por ocasião das comemorações do Dia do Índio, em 1997, e, com outras sete lideranças indígenas, levava suas reivindicações acerca da recuperação da Terra Indígena Caramuru-Paraguaçu, em conflito fundiário com fazendeiros da região (sul da Bahia). Depois de ter participado de reuniões com o então presidente Fernando Henrique Cardoso e com outras autoridades, com representantes de movimentos sociais de luta pela terra, entre eles o MST, por ser já muito tarde, não pôde entrar na pensão onde estava hospedado e resolveu dormir num abrigo de ponto de ônibus na avenida W3, Quadra 704 Sul.leia mais   clique aqui

Saneamento Básico:

Pobreza, Saúde e Meio Ambiente

Antonio Rocha Magalhães

CGEE – Centro de Gestão e Estudos Estratégicos. Ex-membro da CJP de Brasilia.

A Campanha da Fraternidade Ecumênica, de 2016, elegeu como tema a questão do Saneamento Básico. A escolha foi muito feliz, porque há poucos temas mais importantes para a vida humana do que o saneamento. Tanto do ponto de vista do mundo inteiro, de acordo com dados das Nações Unidas e do Banco Mundial, como no caso do Brasil especificamente ou de cada local, a questão do saneamento se sobressai como algo que se liga estreitamente à questão da pobreza, da saúde e do bem-estar das populações. A ligação com a pobreza é muito direta: os piores indicadores de saneamento básico – acesso à água potável, esgotamento sanitário e disposição de lixo – se encontram nas regiões e países mais pobres no Planeta. No Brasil, os piores indicadores estão nas regiões Nordeste e Norte e, especialmente, nas periferias pobres das cidades e nas zonas rurais.leia mais   clique aqui