Biomas Brasileiros e Defesa da Vida – 07/03/2016

A Comissão Justiça e Paz de Brasília realizou neste 06 de março, no Auditório Dom José Freire Falcão, a primeira Conversa de Justiça e Paz  do ciclo de 2017 com o Tema: Fraternidade: Biomas Brasileiros e Defesa da Vida.

O tema replica a Campanha da Fraternidade deste ano, aberta a semana passada na CNBB, representando a disposição da CJP de o adotar como um eixo estratégico para as suas ações no período.

A mesa, moderada pelo membro da CJP Professor José Geraldo de Sousa Junior, foi aberta com a exortação de Dom Leonardo Ulrich Steiner, Bispo Auxiliar de Brasília que, na condição de Secretário-Geral da CNBB, apresenta o tema geral da Campanha e coordena a edição de seu texto-base. Em sua exortação Dom Leonardo recuperou o processo de construção do tema para a Campanha, a conformação das equipes e o sentido orientador que a constitui, expresso no lema extraído do Livro do Gênesis 2,15: “Cultivar e guardar a criação”.

Os convidados expositores para discorrer sobre o tema desta primeira Conversa foram: LUIZ BELTRÃO, Consultor Legislativo em meio ambiente do Senado Federal é  bacharel e licenciado em Ciências Biológicas com Mestrado em Ciências Florestais (2003), todos pela Universidade de Brasília (Prêmio “menção honrosa da Câmara Legislativa do Distrito Federal por sua atuação na área ambiental”; e EUGÊNIO GIOVENARDI, Escritor (21 livros publicados – romances, crônicas, poesias, ensaios, boa parte sobre o tema ecologia) é Ecossociólogo (URGS) e Teólogo (ex-sacerdote da Ordem franciscana dos Capuchinhos), Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal.

As exposições, bem documentadas e apoiadas em conceitos consistentes e atualizados, se complementaram e mobilizaram o interesse da  audiência, que lotou o auditório e se apresentou vivamente ao debate. Em ambos os expositores houve o cuidado de inserir na consideração geral do tema a preocupação com o Bioma Cerrado e a partir da descrição de sua realidade devastada, situar o risco real que se apresenta para o Centro-Oeste e para o Distrito Federal, seu ambiente e as condições das populações  que aí vivem de uma crise hídrica sem precedentes.

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Os expositores se mostraram afinados com a convocação que nos faz o Papa Francisco, desde a Encíclica Laudato Si’, no sentido de manter mobilizada a nossa responsabilidade com o Planeta, a nossa Casa Comum, e nos associamos aos objetivos geral e específico da CF 2017, no sentido do cuidado da criação e de modo especial dos biomas brasileiros, não só para aprofundar o conhecimento sobre o tema, com a ajuda dos conselhos de nossos convidados, mas também, o de atender ao desafio que nos é feito, com a finalidade de “contribuir para a construção de um novo paradigma econômico e ecológico que atenda às necessidades de todas as pessoas e famílias, respeitando a natureza” (CF, Texto-Base, pág. 16).

E, para alem de seus conhecimentos técnicos, se revelaram sensíveis à dimensão do humano que é o ponto de partida e o ponto de chegada da CF, representado na preocupação, com os compromissos que assomam ao nosso engajamento, no espírito de fraternidade que nos associa aos cuidados com a “casa comum”, pedem urgência para uma questão que nos angustia e que cobram uma exigência política de participação igualitária, tanto nos sacrifícios quanto no acesso aos direitos: a crise hídrica do Distrito Federal, o modo de encará-la e de propor formas de solução. Isso desde as ações de racionamento (que não deve seguir formas hierárquicas e de privilégios), até às propostas – muitas das quais podendo ser construídas em nossas Paróquias e com o fomento dos serviços da Arquidiocese e da Igreja – de reorientar o cuidado com os mananciais, os modos de captação e de abastecimento e os processos de gestão.

Entre os presentes, muitos para a nossa alegria, investidos de capacidade pedagógica de multiplicar esforços – Irmã Inês, Presidente da CRB (Conferência dos Religiosos do Brasil); Padre Geovane e uma delegação de seminaristas do Instituto Dom Orione; José Teixeira, da Cáritas; Padre Roger Araújo e Ronaldo da Silva da Comunidade Canção Nova; Carlos Moura da CBJP (Comissão Brasileira de Justiça e Paz); Gilberto Carvalho, ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, atualmente no Interlegis (Instituto do Legislativo do Senado Federal); Professores da Universidade de Brasília: Isaac Roitman, também da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência); Celina Roitman (Fiocruz); Aldo Paviani (também da Codeplan); José Carlos Córdoba Coutinho (também do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal).

IMG-20170307-WA0014Compôs a mesa, agora residindo em Brasília o Bispo Emérito de Aparecida, ex-Presidente da CNBB e ex-Presidente do CELAM, Cardeal Raymundo Damasceno, que se manifestou em apoio exemplar ao tema, na condição de designado por Dom Sergio da Rocha para acompanhar as atividades da Comissão Justiça e Paz de Brasília.

Ao final, o Presidente da CJP, José Márcio de Moura Silva deu por encerrada a sessão, lembrando a mensagem do Papa Francisco, expressa na Laudato Si’ chamando à “conversão ecológica”, no sentido de  (LS, n. 217) “Viver a vocação de guardiões da obra de Deus (que) não é algo de opcional nem um aspecto secundário da experiência cristã, mas parte essencial de uma existência virtuosa”.

Por Comissão Justiça e Paz

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