Não é saudável amar o silêncio e esquivar o encontro com o outro, desejar o repouso e rejeitar a atividade, buscar a oração e menosprezar o serviço. Tudo pode ser recebido e integrado como parte da própria vida neste mundo, entrando a fazer parte do caminho de santificação. Somos chamados a viver a contemplação mesmo no meio da ação, e santificamo-nos no exercício responsável e generoso da nossa missão. 

(Papa Francisco, Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate, nº 26)

A Comissão Justiça e Paz de Brasília (CJP-DF) realizará, no próximo dia 4 de junho, a 46ª “Conversa de Justiça e Paz”, com o tema: “A Dimensão Social da Fé no Atual Contexto Histórico”. A fim de desenvolver a reflexão e fomentar o debate com a sociedade sobre tema tão atual e relevante, contaremos com a ilustre e especializada contribuição de Therezinha Cruz, professora e segundo vice-presidente do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil – CONIC e o professor Guilherme Costa Delgado. Therezinha Cruz é professora aposentada da rede pública do Rio de Janeiro. Trabalhou como supervisora de Ensino Religioso. Foi assessora da Dimensão Bíblico Catequética da CNBB de 1992 a 1996. Escreveu vários livros, inclusive uma coleção didática para Ensino Religioso na editora FTD. Trabalha com ecumenismo e atualmente ocupa o cargo de segundo vice-presidente do CONIC. Guilherme Delgado possui doutorado em Ciência Econômica pela Universidade Estadual de Campinas (1984). É pesquisador aposentado do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA; foi membro da Comissão Brasileira Justiça e Paz; tem experiência na área de economia, atuando principalmente nos seguintes temas: agricultura, política agrícola, política social, previdência social e previdência rural. Num tempo marcado por tantas ameaças à democracia, golpes, expulsões, ódio, campanhas de difamação e calúnia, prisões injustas e mortes desejadas e executadas, o que a nova Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate (Alegrai-vos e Exultai), do Papa Francisco tem a nos dizer? O Papa convida-nos a atender à “chamada à santidade” – a convocação de Jesus aos que são “perseguidos ou humilhados por causa d’Ele”. Sermos santos e santos diante do sistema de morte, do poder do dinheiro – é o convite de Jesus que o Papa agora ecoa. “À luz do mestre” – escreveu-nos Francisco, há um roteiro, um “plano de voo” para buscar a santidade: as bem-aventuranças (cf. Mt 5, 3-12; Lc 6, 20-23): “Estas são como que a Carteira de identidade do cristão.” (63) Sim, as bem-aventuranças são uma convocação. Diante de uma multidão de pobres, doentes e excluídos da sociedade de sua época, Jesus convocou: “Coloquem-se em marcha a caminho do Reino!” Cristãos leigos e leigas, e toda a Igreja, devem atender ao apelo de Jesus e buscar o Reino onde não haverá mais fome, injustiça, egoísmo, prisões ou exclusões. No cotidiano do Brasil esta caminhada implica uma decidida e corajosa defesa da democracia estraçalhada. Pois o regime da destruição dos direitos, das prisões, da fome que se espalha, do ódio e da violência é em si mesmo “anti-reino”. O que se espera dos cristãos e cristãs leigos diante das ameaças à democracia é que atendam à convocação de seu Mestre e marchem corajosamente a anunciar o Reino. É uma jornada de santificação, pois implica riscos, perigos e, eventualmente, sacrifícios, como testemunham tantos homens e mulheres do povo, verdadeiros mártires. Esta era a compreensão de santidade que tinham as primeiras comunidades cristãs. Todos os seus membros, que caminhavam no seguimento do Mestre rumo ao do Reino sob ameaças e perseguições, chamavam-se entre si de “santos” e “santas”. Ser “santo” ou “santa” não é ser perfeito: é colocar-se a caminho. Assim, pois, reforçamos o convite a toda a comunidade para a Conversa de Justiça e Paz, no dia 4 de junho , às 19h, na Cúria Metropolitana, junto à Catedral. O evento terá transmissão ao vivo pelo perfil da Comissão Justiça e Paz de Brasília no Facebook (https://www.facebook.com/cjpbrasilia/) e será veiculado na programação da TV Comunitária de Brasília, canal 12 da Net. Comissão Justiça e Paz de Brasília – CJP-DF