Dando continuidade ao diálogo sobre o tema crucial da Comunicação, iniciado na “Conversa de Justiça e Paz”, do mês de maio, a Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Brasília traz agora para discussão o tema da responsabilidade social e ética da mídia católica.

Sim, ninguém ignora a grande propagação dos meios de comunicação católicos, em todas as mídias, escrita, falada, televisionada, digital, e a exigência pastoral de que em seu sentido social, não nos deixemos arrastar pelos desvios alienadores que a mídia mundana têm incidido.

A escolha deste tema, objeto de uma primeira abordagem, mais técnica e acadêmica, provoca a nossa reflexão de cristãos, seguindo inspiração contida na mensagem do Papa Francisco em alusão ao 53º Dia das Comunicações Sociais (2 de junho de 2019), mas tornada pública desde janeiro deste ano.

Sua Santidade, neste ano, elegeu o tema das redes para direcionar o nosso olhar (« “Somos membros uns dos outros” (Ef 4, 25): das comunidades de redes sociais à comunidade humana »). Na visão de Francisco, “hoje o ambiente dos mass-media é tão invasivo que já não se consegue separar do círculo da vida quotidiana. A rede é um recurso do nosso tempo: uma fonte de conhecimentos e relações outrora impensáveis.” Mas, embora reconheça essa importância cada vez maior das mídias eletrônicas e sua forma de propagação em redes, Francisco alerta para os não menos importantes riscos associados ao fenômeno.

Mas numerosos especialistas, a propósito das profundas transformações impressas pela tecnologia às lógicas da produção, circulação e fruição dos conteúdos, destacam também os riscos que ameaçam a busca e a partilha duma informação autêntica à escala global. Se é verdade que a internet constitui uma possibilidade extraordinária de acesso ao saber, verdade é também que se revelou como um dos locais mais expostos à desinformação e à distorção consciente e pilotada dos factos e relações interpessoais, a ponto de muitas vezes cair no descrédito (…). Além disso, na social web, muitas vezes a identidade funda-se na contraposição ao outro, à pessoa estranha ao grupo: define-se mais a partir daquilo que divide do que daquilo que une, dando espaço à suspeita e à explosão de todo o tipo de preconceito (étnico, sexual, religioso e outros). Esta tendência alimenta grupos que excluem a heterogeneidade, alimentam no próprio ambiente digital um individualismo desenfreado, acabando às vezes por fomentar espirais de ódio. E, assim, aquela que deveria ser uma janela aberta para o mundo, torna-se uma vitrine onde se exibe o próprio narcisismo. ”

Nesse contexto, indagamos: se é legítimo interpelar a responsabilidade social, nos dias de hoje, da mídia e enfrentar esse grande problema associado à proliferação das redes sociais, as chamadas fake news (notícias falsas); quão mais responsável deve ser a mídia católica que, por definição evangelizadora, deve informar corretamente os fatos da vida ou mesmo formar opinião livre da tentação de veículos de comunicação, constituídos como empresas, que visam ganhos materiais e por isso, muitas vezes, subordinam a informação que produzem às injunções e distorções ao interesse de seus controladores econômicos, e de seus financiadores.

O Papa Francisco, em sua Mensagem, também se pergunta: “como reencontrar a verdadeira identidade comunitária na consciência da responsabilidade que temos uns para com os outros inclusive na rede on-line?” Para ele a resposta está no sentido de comunidade que precisamos recuperar, uma comunidade em que a verdade seja comunicada como forma de preservação da nossa própria identidade, tal como na metáfora utilizada por Paulo, citada na Mensagem de Francisco: “Por isso, despi-vos da mentira e diga cada um a verdade ao seu próximo, pois somos membros uns dos outros» (Ef 4, 25).

Para continuar a conversar sobre este tema a CJP-DF convidou o jornalista MOISÉS SBARDELOTTO. Sbardelotto é mestre e doutor em Ciências da Comunicação e professor colaborador do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), onde realiza estágio pós-doutoral (bolsa Fapergs/Capes). É também colaborador do Instituto Humanitas Unisinos (IHU) e colunista das revistas Família Cristã e O Mensageiro de Santo Antônio. Tem larga experiência em midiatização, comunicação digital e na interface entre mídia e religião. Foi membro da Comissão Especial para o Diretório de Comunicação para a Igreja no Brasil, da CNBB.

Temos a esperança de que uma forte presença de representantes dos meios de comunicação se façam presentes a essa Conversa, mas exortamos com muita humildade, que os representantes da mídia cristã e mais, enfaticamente, da mídia católica, possam contribuir para a necessária elevação desse debate, com a sua rica, consistente e ética experiência, certamente carregada de fraterna exemplaridade.

Assim, a CJP-DF reforça, pois, o convite para a Conversa de Justiça e Paz, no dia 1o. de julho, às 19h, no Auditório Dom José Freire Falcão, da  Cúria Metropolitana, junto à Catedral. O evento terá transmissão ao vivo pelo perfil da Comissão Justiça e Paz de Brasília no Facebook e será veiculado posteriormente na programação da TV Comunitária de Brasília, canal 12 da Net.

Por Comissão Justiça e Paz

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